Com uma velocidade talvez nunca vista na história da Receita Federal, os Auditores Fiscais da Receita paralisaram suas atividades e passaram a entregar funções e cargos de chefia em um verdadeiro efeito dominó. A intensidade da mobilização é fortíssima, porque a informação circula rápido na era das redes sociais. A indignação não para de crescer. Em pouco tempo, a Classe inteira viu o tapete sendo puxado debaixo de seus pés: simplesmente o Auditor Fiscal soube que o orçamento destinado à Receita Federal foi reduzido drasticamente (menos 700 milhões) para que fosse possível reajustar as carreiras policiais. E para a Receita? Nada. Revés.

Titulares de diversas Delegacias e Alfândegas da Receita do País inteiro, bem como seus adjuntos, não titubearam para aderirem à mobilização, assim como os Auditores que chefiam as diversas Equipes de Fiscalização das Regiões Fiscais do País inteiro. Há Auditores Fiscais de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Paraíba. O número só vem crescendo.

Tal paralização é uma “combustão espontânea”, disse o presidente Mauro Silva ao jornal Valor Econômico. Ocorre porque o copo transbordou. Em 2016, o governo havia assinado um acordo com a Classe que tratava do bônus dos Auditores. Agora, além de não cumprir com o que foi afiançado com os Auditores, retiram valores substanciais para o funcionamento do órgão, os quais serão utilizados para conceder reajuste às carreiras policiais da União Federal.

O governo quer por a mão no fogo. Quer cortar o galho sobre o qual se encontra e ver o que acontece. Isso não é recomendado sob nenhum aspecto. Os recordes de arrecadação não deixam dúvidas sobre a eficiência da Classe. A saída para o governo é cumprir o acordo que firmou, o mais rápido possível.

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