Não falta dinheiro no Brasil, afinal apenas em 2021 serão mais de R$ 457 bilhões em renúncias fiscais, falta vontade política para equilibrar as contas de maneira racional. Inúmeras soluções orçamentárias poderiam ser praticadas para sustentar as contas de uma política de desenvolvimento. Porém, excluindo os mantras aqui citados, alguns já entoados com notório fracasso, salta aos olhos um espaço riquíssimo do orçamento que permanece intocado: a caixa preta das renúncias fiscais federais.

Um assunto tabu. Tudo em nome da manutenção dos eternos benefícios aos “pançudos” de sempre, que capturam o orçamento do Brasil, como o jornalista Reinaldo Azevedo se referiu em seu programa “O É da coisa”, nessa segunda-feira (25/10). Confira o trecho em que os dados da Unafisco nacional sobre Privilégios Tributários são citados. Tais renúncias fiscais ganham um efeito didático muito mais claro, quando damos nomes aos bois. Privilégios Tributários são o que são. Entenda o Privilegiômetro Tributário.

É sempre importante ressaltar que nem tudo é privilégio tributário, desses R$ 457 bilhões, R$ 142 bilhões tem sua devida justificativa e comprovação em prol do desenvolvimento público e social. O que incomoda é a assombrosa cifra de R$ 315 bilhões destinada a poucos e selecionados endinheirados do Brasil, sem que sejam devidamente acompanhados ou comprovem uma real contrapartida para a sociedade. Afinal, não estamos registrando aumento de emprego e redução de preços, ao que consta.

Tanto faz se “Pançudos” para Reinaldo Azevedo ou “Piratas do Pântano” para Paulo Guedes, eles são os mesmos. Mas se são taxados de maneira pouco amistosa por pessoas plurais, por que é que não se debate a fundo uma correta destinação de recursos tão valiosos com a população e Congresso? Falamos de mais de 10 vezes o Auxílio Brasil, apenas com realocação desses recursos improdutivos, que já não foram capazes de se mostrar producentes para o Brasil há tempos.

Se vamos realmente falar de respeito ao teto constitucional ou falta de recursos, não faz sentido ignorar essa expressiva fatia do orçamento. É preciso colocar o dedo da ferida da questão das renúncias tributárias contraproducentes, que se mostram benéficas apenas para uma minoria de endinheirados encastelados e agrupados em 0,35% da população, que permanecem sugando recursos de todo um país, enquanto nos debatemos sobre um cobertor cada vez mais falsamente curto.