Seiscentos e setenta quilos de cocaína. Essa foi a quantidade de droga encontrada na primeira apreensão de entorpecente de 2021 realizada pela Alfândega da Receita Federal do Brasil no Porto de Santos/SP, em 4/1. Escondida em carga de goiabada, a droga seria exportada para o Porto de Antuérpia, na Bélgica.

O resultado dessa ação é mais um fruto do trabalho desenvolvido com afinco pelos Auditores no cais da Baixada Santista, que no ano passado resultou em mais de 20,5 toneladas de cocaína apreendidas.

Até 22/12, a Receita Federal havia feito 49 apreensões apenas de cocaína, de acordo com dados divulgados pelo órgão. Na maior parte dos casos, a droga estava localizada em contêineres com destino à Europa, escondida em cargas de produtos diversos, como sucata, óleo, limão, entre outros.

O Auditor Fiscal Fábio Abdo Izzo, chefe da Equipe de Operações de Vigilância e Repressão na Importação (Eqrimp/Direp) da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Porto de Santos, gentilmente concedeu breve entrevista à Unafisco Nacional, em que falou sobre quais fatores devem-se o êxito em ações de fiscalização, acerca dos desafios dos Auditores no combate ao tráfico de entorpecentes e da importância da atuação conjunta da Receita e outros órgãos, em prol do País.

Abaixo, confira a entrevista na íntegra.

Unafisco Nacional. Em linhas gerais, no que consiste as ações de rotina realizadas pela Receita Federal nos portos? Há algum diferencial no trabalho feito pelos Auditores no Porto de Santos/SP, em razão de ser o maior porto da América Latina?

Fábio Abdo Izzo. As ações consistem em verificar a regularidade das cargas importadas ou exportadas por meio de análise documental e de imagens, trazendo segurança para todos os intervenientes que compõem a cadeia logística. Com relação à equipe de trabalho, por trabalharmos no maior porto da América Latina, acredito que o sucesso das operações está aliado à experiência e à capacidade, mas principalmente ao grande comprometimento desta equipe com a missão que é proposta pela sociedade no combate ao tráfico de entorpecentes, ao contrabando e ao descaminho.

UN. A qual fator o senhor atribui o êxito em operações como essa, ocorrida no início deste mês de janeiro [localização de 670 kg de cocaína], que resultam em expressivas apreensões de drogas? Essa foi a primeira apreensão de entorpecente em 2021, no Porto de Santos/SP?

Fábio Izzo. Atribuo à enorme dedicação e ao enorme comprometimento das pessoas envolvidas nessas ações, tanto na exportação como na importação. Sim, essa apreensão de 670 Kg de cocaína oculta em goiabada foi a primeira desse ano.

UN. Quais são os principais desafios dos Auditores que atuam nos portos e como enfrentá-los, no que diz respeito ao combate ao tráfico de drogas e repreensão ao contrabando e ao descaminho?

Fábio Izzo. Acredito que o grande desafio é a constante adaptação que devemos possuir ao “modus operandi” dos infratores. Considerando que a cada ação bem-sucedida de nossa equipe, o outro lado irá se aprimorar.

UN. Qual a importância da atuação conjunta da Receita com demais órgãos que também atuam nos portos, como a Polícia Federal?

Fábio Izzo. Todos os órgãos estatais com a missão de proteção possuem um só objetivo que é o bem-estar da sociedade, sendo assim, com a união dos esforços em um mesmo sentido somente irá fortalecer o Estado.

UN. A movimentação de cargas no Porto de Santos/SP aumentou nesse momento de pandemia. Houve alguma mudança em relação aos procedimentos de fiscalização da Receita?

Fábio Izzo. Especificamente na Alfândega do Porto de Santos, tivemos a percepção de que muitos fraudadores poderiam aproveitar o momento para tentar burlar a fiscalização. Então, atuamos de forma firme, porém sempre buscando a fluidez do comércio exterior que é tão importante para a maior eficiência da nossa economia.