A edição do Jornal da Cultura, de 23/2, apresentou dados de estudo da Unafisco Nacional para mostrar os impactos negativos aos contribuintes decorrentes da falta de atualização da tabela do Imposto sobre a Renda. O presidente da entidade, Auditor Fiscal Mauro Silva, foi entrevistado para falar a respeito do tema.

De acordo com levantamento da Unafisco, se considerado o IPCA acumulado desde 1996, a defasagem da tabela do IRPF chega a 113,09% para exercício de 2022, relativo às rendas auferidas em 2021.

Ou seja, muitos contribuintes poderiam estar isentos, conforme ressaltou o telejornal. “Hoje, quem ganha R$ 1.903,00 é isento de imposto. Se os valores fossem corrigidos pela inflação cheia, estariam livres todos que recebem até R$ 4.057,00. São quase 13 milhões de brasileiros que não iriam mais recolher parte da renda para o governo.”

Se a correção da tabela ocorresse de forma integral, haveria perda arrecadatória de, aproximadamente, R$ 112 bilhões. Mas segundo o presidente da Unafisco, o caminho seria repassar aos contribuintes a inflação referente aos últimos três anos, que equivale a 13,10%, porque acarretaria menos impacto na arrecadação. “Dá uns R$ 23 bilhões, R$ 24 bilhões [a menos na arrecadação]. É uma conta mais razoável e a gente indica de onde pode vir [a compensação para a perda arrecadatória]. Um dos maiores privilégios tributários que temos é a não tributação da distribuição de lucros e dividendos. Só aí a gente tem R$ 60 bilhões. Se a gente voltar a tributar lucros e dividendos é possível fazer a correção e ainda ajudar no auxílio emergencial”, disse Mauro Silva.

O telejornal também ressaltou que a correção da tabela do IRPF é uma promessa de campanha do presidente da República, que ainda não foi cumprida.

Confira abaixo a reportagem na íntegra.