Em 2 de julho a Unafisco Nacional apresentou a live Blockchain e as criptomoedas: a Revolução Digital, trazendo o jornalista Rafael Gregorio, do Valor Econômico, para falar sobre o assunto. O presidente da entidade, Auditor Fiscal Mauro Silva, foi o mediador do evento transmitido pelo Facebook e YouTube da Unafisco. Na oportunidade houve dois lançamentos. Primeiro, a entidade lançou a resenha (resumo crítico) intitulada Transformando Sistemas Tributários pela tecnologia Blockchain sobre um evento organizado recentemente pelo Fisco canadense. Também foi lançada na ocasião a Live de Prêmios da Unafisco. Durante a live, divulgou-se um link na área restrita do site da Unafisco por meio do qual os associados responderam a uma pergunta relacionada ao assunto da live. As duas melhores respostas ganharão um tablet e um Kindle, respectivamente. O resultado sairá na próxima terça-feira (6/7).

Uma conversa sobre a revolução digital. Blockchain e criptomoeda não são a mesma coisa. O jornalista Rafael explicou que o primeiro termo é a tecnologia que está por trás da criptomoeda, que é um ativo digital. O contexto histórico da criação da primeira criptomoeda, o bitcoin, em 2008, ajuda a compreender melhor a demanda, o anseio por uma mudança de paradigma.

Em 2008 naufragou o lendário banco Lehman Brothers, fundado no século 19, cuja sede localizava-se em Nova Iorque. Ele sucumbiu diante da crise do subprime norte-americano, que estourou naquele ano. O que aconteceu? Havia um mundo de empréstimos para financiar a compra de imóveis, porém explodiu a bomba da inadimplência. Milhares de pessoas perderam suas casas porque estavam hipotecadas, etc. Os efeitos da crise cruzaram as fronteiras do país. “O bitcoin nasceu de duas demandas principais: mais controle sobre o dinheiro e redução de intermediários e, se possível, a eliminação total de intermediários.” Ou seja, nada de bancos, nada de órgão estatal, nada.

O bitcoin foi criado por uma pessoa ou por um grupo de programadores chamado Satoshi Nakamoto. Este e “outros desenvolvedores formataram a blockchain, que é uma rede que registra e valida as transações em bitcoins.” Segundo o jornalista, o bitcoin permite que as pessoas guardem o seu próprio dinheiro de maneira digital e segura. Permite que as pessoas façam transações sem custo ou com custos baixíssimos, e isso em uma rede descentralizada, distribuída e criptografada.

Validação Coletiva, o grande trunfo. A blockchain é uma rede de dados com informações reunidas, verificadas e registradas em uma cadeia de blocos. Cada bloco carrega “uma herança” do bloco anterior, como Rafael explica. Isso vai legitimando a cadeia de blocos em toda a rede. “A segurança da blockchain está baseada nesse conceito de validação coletiva.” De acordo com o jornalista, até hoje não houve nenhuma fraude comprovada na blockchain.

O presidente da Unafisco Nacional ressaltou justamente este aspecto da segurança da rede blockchain: computadores espalhados no mundo, “como em Cingapura, China ou no Brasil eventualmente”, podem validar uma transação dentro de um blockchain, o que é chamado de “mineração”. O jornalista disse que existem fazendas de “mineração”, principalmente em países com acesso vasto e barato de energia elétrica. O que se consome de energia não é brincadeira. Compara-se esse consumo ao de alguns países. O motivo é simples: o número dos potentes computadores da rede está aumentando.

Mauro Silva destacou que a tecnologia blockchain não se limita a transações financeiras. Essa nova tecnologia “pode ser utilizada, por exemplo, no controle de notas de alunos do ensino médio.” Rafael concordou dizendo que é possível, porque essa tecnologia “traz a possibilidade de gerar um ambiente seguro e legítimo sem a necessidade de intermediários, reduzindo custo.” Para ilustrar, Rafael citou ainda o Instituto Alinha, que mapeia costureiros e oficinas e os conecta a marcas de roupas usando o blockchain. “A ideia é permitir que os consumidores possam rastrear pelo celular as roupas pelas quais se interessam, deixando de comprar das grifes que, por cumplicidade ou negligência, tolerem trabalho escravo.” Clique aqui para ler a notícia assinada por Rafael no Valor Investe.

Armazenamento digital. Rafael Gregorio também comentou sobre os tokens utilitários no blockchain. “Não necessariamente representam ativos reais nem se limitam a valores financeiros.” Um exemplo é o token Filecoin. Este propõe resolver a questão do armazenamento em nuvem. Bem verdade que existem empresas fornecendo tal armazenamento, porém as fotos ficam centralizadas, tendo as empresas poderes sobre as imagens. Por isso, “já estão surgindo soluções de armazenamento digital em blockchain.”

Déjà vu. O e-mail, quando surgiu, parecia ser totalmente revolucionário. Hoje temos redes sociais no celular, tiramos fotos, tudo vai muito além do e-mail. Há quem argumente que o bitcoin seja só o começo de tudo, como um dia foi o e-mail. O DeFi, que é uma sigla para finanças descentralizadas, sinaliza isso muito bem.

O DeFi funciona por programação. Por exemplo, o objetivo é conseguir um empréstimo. Do modo convencional, é preciso ir ao banco (ou obter pelo aplicativo). Seja como for, a liberação passará por uma análise do cliente. Talvez um determinado gerente entre no circuito e ofereça critérios diferentes de empréstimo para perfis semelhantes. No caso do bitcoin e do DeFi programa-se o empréstimo. Quer empréstimo? Basta oferecer bitcoin como garantia. “Esse bitcoin fica travado no blockchain, o que significa inadimplência zero e taxas baixíssimas. Tem gente pegando empréstimos de centenas de milhares de dólares por taxas a menos de 1% ao ano.” O novo cenário que surge, segundo Mauro Silva, revela que o “poder financeiro está sob ameaça. Porque poder financeiro pressupõe autoridade central dos grandes bancos (…). E traz o problema da falta de controle”, diz Mauro, ao referir-se à pirâmide financeira, entre outros problemas.

Investidores institucionais. A partir de agosto de 2020, houve a entrada de investidores institucionais no bitcoin. A empresa norte-americana MicroStrategy, com ações na Nasdaq, anunciou que estava comprando milhões de dólares em bitcoin. Foi um sucesso, o preço da ação da empresa disparou. O presidente dessa empresa já comprou 1,5 bilhão de dólares em bitcoins, que é quase o caixa inteiro da MicroStrategy! Como ele, outras empresas passaram a adotar o mesmo procedimento. Outra empresa foi a Tesla, que também comprou 1,5 bilhão de dólares em bitcoins no ano passado. A compra apenas tornou-se pública em janeiro deste ano, por causa da apresentação de seus balanços financeiros. Essa entrada de investidores fez o preço do bitcoins disparar. Em outubro de 2020, o preço do bitcoin era de dez mil dólares. Em abril de 2021, chegou a 65 mil dólares. Agora está na casa dos 35 mil dólares. De acordo com o jornalista, empresas brasileiras começam a investir em bitcoins. As empresas Yubb e Empiricus são as primeiras empresas brasileiras a divulgar o investimento.

Vulnerabilidade no bitcoin. Pessoas como o CEO da Tesla, Elon Musk, falam qualquer coisa no Twitter e o preço do bitcoin pode cair ou subir. A criptomoeda pode ser violentamente volátil, o que causa no mínimo estranheza. O que Musk comprou de bitcoin, em relação ao número total existente no mundo desta criptomoeda especificamente, dá menos de 1%. “A gente não vê um acionista com menos de 1% de uma empresa falar alguma coisa e a ação cair pela metade ou dobrar de preço. Mas com o bitcoin isso acontece”, disse Rafael. No caso do Elon Musk ele enfatizou o enorme gasto de energia.

O futuro está entre nós e precisamos nos preparar para as próximas mudanças que, certamente, virão e para outras tantas que já estão por aí. De forma introdutória, tivemos um vislumbre de como a blockchain e as criptomoedas poderão relacionar-se com a nossa vida cotidiana e profissional. Até à próxima live!

Abaixo, assista à live na íntegra.