A escolha de Robinson Barreirinhas para assumir a Secretaria Especial da Receita Federal coloca a administração tributária como o único órgão de Estado sem um nome de carreira como chefe.

O sentimento dos Auditores Fiscais pode ser resumido em uma palavra: desprestígio! Como se o principal órgão de fiscalização e arrecadação do País não tivesse quadros capazes ou confiáveis para dirigi-lo. Esse sentimento se soma a um conjunto de problemas internos mal resolvidos, a exemplo do acordo salarial descumprido desde 2016, além de uma convivência conflituosa com a administração do órgão.

Não há dúvida de que um profissional de carreira reuniria as melhores condições para conduzir um órgão de Estado complexo administrativamente e altamente sensível como a Receita Federal. É uma atividade que pela sua própria natureza desafia grandes interesses econômicos. Num passado recente, a Receita Federal foi alvo de ataques virulentos de poderosos atores políticos do Judiciário, do Legislativo, do TCU e inclusive do próprio Executivo.

A fala do ministro, ao anunciar o novo secretário, foi habilidosa ao enfatizar a necessária integração entre procuradores e Auditores, demonstrando que ele está ciente dos problemas entre os órgãos.

Outro temor entre os Auditores é a falta de oxigenação nos cargos de direção, que tem levado a cúpula da Receita Federal a um isolamento sem precedentes, em prejuízo do ambiente interno, a ponto de estarmos hoje num ponto máximo de desconexão entre Auditores Fiscais e o comando do órgão. Esperamos que o novo secretário busque corrigir o recorrente equívoco de promover apenas uma dança das cadeiras no comando do órgão.

A Unafisco Nacional e os Auditores Fiscais estarão abertos ao diálogo com o futuro secretário da Receita Federal e dispostos a colaborar na integração, em todos os sentidos, com outros cargos do ministério a que estamos vinculados, conforme ressaltado pelo ministro indicado, Fernando Haddad. A Receita Federal, para o bem de toda a sociedade, precisa ser recolocada no papel de destaque que a Constituição Federal lhe atribui para viabilizar o financiamento das políticas públicas que diminuem as desigualdades e promovem o desenvolvimento nacional, proporcionando maior arrecadação com justiça fiscal, passando pelo combate à sonegação e o respeito ao contribuinte.